8.11.11

Até o fim desse livro eu só falo de Amor e Liberdade. Até o fim da minha vida eu só vou ficar falando de Amor e Liberdade. Se você não gosta dessas coisas, nunca será meu leitor. Nem meu amigo. Nem meu amor. Aliás, se você não gosta de Amor e Liberdade, provavelmente tem algo errado com você... Portanto, Mude!



Este vídeo é o poema Mude interpretado por Simone Spoladore, na faixa 4 do CD Filtro Solar, do Pedro Bial. São só 4 minutos. Veja-o agora, se você tiver tempo.



SOLIDÃO A MIL É COISA PARA ESPÍRITOS LIVRES

O tema é complexo, e eu fico pensando. Será que você, você que não entende como posso ter feito ontem um jantar só pra mim — com luz de vela e tudo — será que você nunca passou uma noite inteira lendo um livro, sublinhando palavras ao acaso, cotovelos apoiados na mesa, as mãos e um belo copo de vinho suportando a cabeça dançante? Será que você nunca passou uma noite inteira sozinho, deliciando-se com você mesmo, solto e alegre — sem saber nem como amanhecer?

Pois então é preciso que eu te pergunte: Você é livre para vivenciar gostosamente a própria Solidão — se quiser — ou tem sempre que reparti-la com alguém?



O direito à solidão e a capacidade de exercê-lo plenamente são, para mim, mais importantes do que a solidão em si. Entretanto, como já disse, quando falo em solidão eu me refiro, mais apropriadamente, à Solitude — que é algo muito além do que apenas estar sozinho. Aliás, eu adoro companhia! Mas tem que ser companhia inteligente, libertária, excitante, amorosa, criativa e, preferencialmente, sensual. Quem não tem sensualidade transbordante não inspira um segundo sequer do meu tempo.

Schopenhauer, num texto chamado Felicidade Solitária, dizia que "a solidão concede ao homem intelectualmente superior uma vantagem dupla: primeiro, a de estar só consigo mesmo; segundo, a de não estar com os outros. Esta última será altamente apreciada se pensarmos em quanta coerção, quantos estragos e até mesmo quanto perigo toda a convivência social traz consigo. "Todo o nosso mal provém de não podermos estar a sós", diz La Bruyère. A sociabilidade é uma das inclinações mais perigosas e perversas, pois põe-nos em contacto com seres cuja maioria é moralmente ruim e intelectualmente obtusa ou invertida. O insociável é alguém que não precisa deles. Desse modo, ter em si mesmo o bastante para não precisar da sociedade já é uma grande felicidade, porque quase todo o sofrimento provém justamente da sociedade, e a tranquilidade espiritual, que, depois da saúde, constitui o elemento mais essencial da nossa felicidade, é ameaçada por ela e, portanto, não pode subsistir sem uma dose significativa de solidão. Os filósofos cínicos renunciavam a toda a posse para usufruir a felicidade conferida pela tranquilidade intelectual. Quem renunciar à sociedade com a mesma intenção terá escolhido o mais sábio dos caminhos."

Porém, ao contrário do que faz Schopenhauer no texto acima, eu não generalizo. Acho as relações sociais extremamente importantes. Relações sociais ao vivo, e não apenas na internet. Aliás, como já disse acima, eu adoro companhia humana! Mas tem que ser companhia inteligente, criativa, excitante, etc. Claro que nas relações de amizade sou muito mais condescendente. Tenho amigos conservadores e até ciumentos — e não será por isso que me afastarei deles. Assim como nas relações profissionais ou comerciais: não seria possível exigir todas essas qualidades de um funcionário ou de um cliente. Mas procuro intensificar e aprofundar as relações que mantenho. Não gosto de relações superficiais, nem mesmo com garçons ou cozinheiros que me servem. Trato a todos com delicadeza e respeito.

Este é apenas um breve comentário do que pretendo dizer neste livro, que ainda sendo revisado e refinado para a impressão definitiva. Não tem pretensões de ser base para uma tese acadêmica. Embora eu pense realmente dessa forma, são devaneios, só.

E o contraditório sempre será bem vindo.


(...)

Sei que vocês discordarão de muitas coisas que aqui vão ler. Muitas. Afinal, cada um de nós tem seu próprio tempo, seu sistema de valores, sua própria maneira de julgar um fato, de analisar fenômenos, de encontrar saídas. Cada um de nós tem sua particular visão do mundo, intransferível, única, exclusiva. Cada um tem suas idéias de verdade, de justiça, de amor, de religião. Cada um de nós tem seu próprio modo de se salvar.
Ou de se perder.
Cada um de nós é um ser único.
Mas interagimos, em nome de alguma filosofia, de um negócio, de um deus, um projeto, uma causa. E existem atributos que nos elevam à categoria de humanos: inteligência, amor, criatividade, compreensão, espontaneidade. Tudo isso deixa a vida mais fascinante ainda. E o que é melhor: a vida que merecemos viver só depende de nós.
(...)
Não pretendo te salvar, mas quero que você abandone as verdades recebidas por herança ou por contágio, e passe a pensar com independência. Se chegou até aqui (não só neste livro, mas na vida), é porque você deve ter aí na cavidade do crânio uma parte do sistema nervoso central chamada encéfalo, que abrange o cérebro, o cerebelo, pedúnculos e outras coisas que nem sei. Essa máquina sensível requer cuidadosa manutenção, precisa de carinho, tempo, leitura, dedicação, e liberdade.
Não permita, portanto, que joguem lixo nesse aparelho.

Nada de verdadeiramente grandioso foi criado até hoje na história do mundo sem paixão, ousadia, inteligência, loucura — e liberdade.

E eu só entendo a liberdade como liberdade de mudar de vida.
Qualquer outra que não essa será pouca.
Por isso, reaja!
Mude.
Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. Lá no capítulo final vou te apresentar esse meu poema Mude. Vou dizer para você experimentar a gostosura da surpresa, do inesperado. E que procure fazer uma viagem longa, de preferência sem destino... Desperte o aventureiro que dorme no teu peito. E se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. Mude. Você vai acabar conhecendo coisas melhores e coisas piores, mas não é isso o que importa.
O importante é a mudança, o movimento, a energia.
Só o que está morto não muda.

Mas até o poema Mude eu mudo sempre. Por isso é que fiz várias versões dele. Para dizer que, mesmo que você já tenha encontrado seu suposto melhor lugar na vida, procure outro. Se ainda não achou o melhor caminho, continue procurando-o. E após ter certeza absoluta de tê-lo encontrado, ainda assim procure outro. A pior coisa da vida é a estagnação — não pare nem mesmo quando estiver no pico que você suponha ser o mais alto. Porque sempre será possível ir além.
A vida tem milhares de caminhos possíveis.

Reaja!

Qualquer futuro é melhor do que qualquer passado.




Na verdade, eu bebo muito pouco. E apenas vinho, de preferência branco. Adoro Mateus (destacadamente), mas um simples chardonnay chileno também me encanta. E nas noites de Solidão a Mil, sempre abro um cabernet sauvignon...

Fico pensando, cá, com minhas flores e botões. E me lembro do filho (Paulo Gurgel Valente) da Clarice Lispector, que roubou-me o poema MUDE, descaradamente. E o vendeu por 40.000 dólares para a Fiat fazer o belíssimo comercial! E o filho da puta ainda não me devolveu esse dinheiro...

Até o Paulo Coelho PLAGIOU esse poema! E o estou processando judicialmente em 2015. Essas coisas horrorosas do Paulo e da Clarice não estão nesse meu livro. Acontece que:

Brigar comigo — e vencer — são coisas contraditórias, mutuamente excludentes.
Há que se escolher UMA delas.


Sou Deus quando me armo de fúria racional e faço de conta que perdoo quem me ofende. Porque Deus já está dentro de mim, e fúria é apenas o nome de um silogismo que eu amo.

Mas, quando se trata de uma história de amor, e não apenas, todo processo deve ter três instâncias básicas: verificação, avaliação e julgamento. E só depois — conforme o caso — condenar ou absolver.
Mas alguns não passam pelos estágios racionais fundamentais, e condenam logo de cara, sem considerar a presunção da inocência.
Alguns não se preocupam com a própria reputação intelectual.
É a vida, você sabe.
Mas a morte é um cavalo que trota encilhado ao lado da gente, e nos olha por baixo do tapa, convidando.
Sempre recusei.
— Morrer é a última coisa que eu quero fazer na Vida!
(...)


Se o que digo é fundamental, por que então considerá-lo de outro modo? Ainda que você não goste do que escrevo, acredite em mim. Mas isso não tem hoje a mínima importância, pois não escrevo pra ser famoso, nem falo para ser lido.
Eu falo é por ser amado, e escrevo porque gostoso. Minha literatura é feita de excessos — eu sei — mas é sincera, tem cadência, suavidade, juventude, pulsação. Mas até mesmo a sinceridade tem limites.
Não se pode ser sincero além de um ponto.
Como eu ia dizendo.
A vida é um milagre — e não vou agora desperdiçar o meu!
Já fiz uma promessa: Vou sobreviver a todos os meus amores.
Naufragar por causa deles — jamais! Posso até me afundar um dia, quem sabe, mas ao voltar à tona trago nos dentes o punhal do pirata. Afundo-me em nome da liberdade, mas trago depois enrolada na ponta língua a pérola pura, pois fui capaz de morder com doçura a ostra hesitante.
O aventureiro que habita o meu corpo pode até simular um naufrágio em teu nome, meu amor.
— Mas nunca quererei te salvar.
Lembro de coisas antigas como se em silêncio as vivesse outra vez. Do que não presta, me esqueço. Sempre. E se minha memória, que sabe das coisas, guarda um fato — por que iria eu jogá-lo fora? Amo só o que acontece e sempre me apaixono pelo ato em si. Sou cúmplice da realidade. Depois de quatro dias falando comigo perco a razão, e a perco de forma profunda, como se fosse perder a vida — só para buscá-la outra vez com amor não sei onde.
E com a certeza de que volta para mim — outra vez.
Falo de mim como falasse de você.
(E fico pensando.)

Minha vida parece a tua, não porque sejam elas iguais, mas pelo fato inegável de que você pensa que vive no espelho. Nem todo espelho reflete a imagem que lhe damos: alguns a engolem, não para consumi-la em fogo, selvagem, voraz, mas sim para poder amá-la escondido, no fundo mais fundo do fundo de si.
O certo é que não sabemos ao certo o que pensa um espelho a teu próprio respeito. Talvez não se enxergue.

Você não se acha cego.
Pois é.

Sabe aqueles dias em que teu peito parece uma Sibéria?
(...)



Não fui transformado em abismo em vão. Sou safado no sentido de travesso, não de cafajeste. Na piscina, ao lado de musas, sempre me orgulho pelado: a pele é a minha maior proteção. Minha nudez me descobre das vergonhas mais humanas, aquelas profundas, e me cobre de amor e tesão por ela. E por mim.


Sou rebelde.

Fui, sou e sempre serei contra os conservadores. Sou revolucionário, amo a vida, a liberdade, o amor, e a loucura. Isso já vem de família. Não é genético, mas é hereditário. Meu bisavô Luiz Marques já era um rebelde: trocou o futuro garantido e certo por um presente gostoso e mais certo ainda. Um belo dia jogou fora o velho baú das verdades antigas, e tomou aquelas decisões que só os grandes homens conseguem tomar:
Montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu!
Abandonou tudo para não ter que abandonar sua própria alma naqueles caminhos já percorridos. Ele também já sabia que

O único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida.

Não fosse por isso eu não estaria aqui, agora, todo coração, tomando essa taça de vinho vermelho e contando minhas histórias de amor pra você.
Sou portanto bisneto da rebeldia. Bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade — e amante de todos os meus amores.
E existo, por incrível que pareça:
No céu da minha boca não há fogos de artifício:
— Só estrelas.





Mulheres!


Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza. Para viver o mistério profundo que trazem consigo, eu preciso de mais. Eu tenho que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas. Tenho que dar-lhes o amor que ao meu corpo as conduz, e na volta sustenta-me a alma. O amor natural de todos os corpos do mundo. Tenho que dar-lhes a posse imprecisa de mim. Como num espelho de paixões em labareda, quero sentir nos seus olhos o mais raro brilho diamante.

Eu as amo como se lhes devesse a Vida. E as venero com a graça de um cisne nadando num lago tranqüilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado. Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, nem quero mudá-las jamais. Imagino o que sonham e entro no sonho delas. Cavalgo em pelo um cavalo branco para visitar-lhes as razões e as emoções, a loucura e a libido. Como um Deus que se liberta da sua própria mitologia, eu me surpreendo em nome da Criatura. Entro no coração de cada uma como se entrasse no meu. Mergulho nos seus desejos e me espanto com tanta fantasia, com tamanha formosura. Os sentidos, por não serem precisos, não bastam, e preciso mais do que cinco para compreendê-las.

Porque toda mulher é silenciosa por dentro. Sua existência se mani-festa em cada detalhe. Assim na terra como no céu, o amor tem que ser livre. Bendito sou eu entre as mulheres. Fazer amor tem que ser uma experiência religiosa. Por isso eu as amo como fina substância, como deve amar quem ama de verdade: incondicionalmente.

— Sem ciúmes.

Amo as morenas e as loiras, as baixinhas e as altas, as lindas, as quase feias. As virtuosas, as magras e as gordinhas. Diabólicas, tímidas, mentirosas, iluminadas, pecadoras ou santíssimas, virgens, pobres, ricas, loucas, inocentes ou safadinhas — não importa, eu amos todas. As bronzeadas e as branquinhas. As inteligentes e as nem tanto. Desde que sensíveis, eu amo as jovens, as velhas, as solteiras, as casadas, as noivas, as separadas. As amadas e as abandonadas. As livres, as que lutam por liberdade — e também as indecisas.

E se me dessem o poder, o tempo e a chance, eu a elas daria um êxtase sublime — todos os dias. Poeticamente.

Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas. Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos. Tomaríamos vinho branco, comeríamos morangos. E eu lhes faria poemas de amor olhando estrelas.

Puro como um anjo, amaria todas eternamente — uma por vez. Com delicadeza, com doçura, com inocência. Entusiasmado, como se cada fosse única... Como se no mundo não houvesse mais nada. Todas as noites, sem pressa alguma, passaria cremes e encantos no seu corpo, falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir. Ao som de Vangelis, velaria por um tempo o sono delas, e de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, cobriria seu corpo com o resto de luar que ainda houvesse.

— E sairia em silêncio.

Felino, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas, e sorrindo iria embora.

Enfim, se eu fosse Deus, não mais cuidaria do universo, nem dessas coisinhas banais. Não ficaria controlando o destino das pessoas, o tempo, a pressa, a hora de chegar, o átomo, as ondas do mar, o caminho dos planetas, os genes, o cotidiano, a Internet, o infinito, a geografia...

Não!

Eu somente iria amar as mulheres.
Como elas merecem — e como nunca foram amadas.
Só isso, definitivamente.
Nada mais, nada mais.


— Eu somente iria amar as mulheres.



Foi o que eu disse.

(...)
Então Fabiane (aquela menina dos patins, que eu conheci lá na página 213) recosta a cabeça no meu ombro, segura forte minhas mãos, sorri e me sugere:
— Não precisa dizer mais nada.
(Não digo?!)
Mas o tempo passa, voando, e hoje estou aqui. Escrevendo coisas que nem sei se alguém vai ler. “Ceux Qui parlent d’Amour sans le réfèrer a la vie quotidienne ont un cadavre dans la bouche” — se meu francês estiver bom, é assim que se reescreve algo que li na memória.

Penso no meu poema Mude e quero mudar de vida.
Mas não agora.


Vibro quando minha sensibilidade vai mais fundo que os meus olhos no objeto que eles tocam.
(...)

Tem gente que é capaz de morrer, tentando ser feliz.
Mas do lado errado.
Os idiotas quase se matam na luta por aquilo que chamam de vida... Usam dois relógios de pulso, agenda, telefone, celular, e até cordãozinho no dedo... Amam o despertador como se amassem um deus, tomam taxi, ônibus, avião, metrô, lotação, elevador. E ainda sobem escadas, inclusive rolantes. Às vezes até brincam, namoram, mas logo brigam, se casam, ficam, descasam, se esgotam, casam de novo, trabalham, separam, quase piram. Se perdem, gritam, correm, caem, sacodem, suspiram, levantam, tropeçam de novo. Quase nem respiram. Trabalham, se ferram, atendem, digitam, suportam, bajulam. Engolem, rastejam, trabalham mais ainda, se juntam de novo, empacotam, remendam, amarram, vomitam. Chegam a beijar a mão do carrasco!
— E ainda sorriem...

Mas o pior é que fazem tudo isso — e continuam infelizes!

Esses medíocres não pensam na possibilidade de mudar de vida. Ridículos, acham que seu estilo de viver é o máximo.
— Que horror!
Parece que misturam em si mesmos doença e crueldade.

Sócrates dizia que os maus acabam fazendo mal a seus próximos, e os bons, algum bem. Concordo — porque os maus não podem ser bons a ninguém, pois isso seria contraditório. Os maus não conseguem amar, nem podem ser amigos. Por mais que pretendam fazer algum bem a quem pensam querer bem, será um bem sem virtude, feito por escusos interesses, com segundas e horrorosas intenções. Nunca será um bem natural, espontâneo, puro, porque isso vai contra a própria natureza dos maus. Fuja dos maus, portanto — enquanto é tempo. Procure os bons.
E Paritosh me ajuda no raciocínio:
— Os maus acabam sendo cruéis também para si, mais cedo ou mais tarde, pois, ao conviverem consigo mesmos por muito tempo, e fazendo o mal que sempre fazem, deturpam o restinho de alma que ainda possam ter. A menos que entrem num contraditório processo de alienação, tornam-se insuportáveis para si mesmos. Além do mais, acabam ficando péssimos.
— Só é cruel quem é fraco — eu digo.
— Claro: quem é forte não precisa ser cruel — ele finaliza.
Tento mudar de assunto:
— Conte-nos alguma coisa do Kama Sutra, Paritosh.
— Depois. Agora quero fazer umas rabanadas.
"O inteligente nunca será cruel."
Peço que coloque La Traviatta, pois estou com saudades do Verdi. Ele sorri, levanta-se em silêncio e põe La Cumparsita! Abre os braços e sai voando em direção à cozinha, dançando alto, irônico: “Si supieras, que aún dentro de mi alma conservo aquel cariño que tuve para ti...”
Joyce Ann me abraça e diz, sussurrando:
— Esse cara parece louco...
— É o jeito dele, logo você se acostuma — justifico.
Porém, mais tarde, à luz da lua cheia, vi que também eu dancei: “Los amigos ya no vienen ni siquiera a visitarme, nadie quiere consolarme en mi aflicción...”
— O que significa o nome Paritosh? — ela pergunta.
— Paritosh Keval: Contentment, Aloneness.
— Não entendi...
Contentamento em solitude, alegria de estar só.
(...)





Pois, é.

É só um livro, mas é uma Vida...

Baseada em fatos reais.

Edson Marques.




E sempre que vejo um cavalo sofrendo eu abraço Nietzsche.

www.EdsonMarques.com




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